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HISTÓRIA
DA DANÇA
DA PRÉ-HISTÓRIA AO EGITO
ANTIGO
A
dança surgiu na Época Paleolítica, antes mesmo de o homem aprender a
cultivar a terra quando ainda migravam buscando um lugar para
caçar.

Maria Taglioni
A dança surgiu na
Época Paleolítica, antes mesmo de o homem aprender a cultivar a
terra, quando ainda migravam buscando um lugar para caçar, colher e
pescar. As figuras desenhadas, que nos servem de documentos sobre
essa era, representavam os animais e as caçadas, raramente os
homens.
No entanto, desenhos
que representam um mesmo movimento foram encontrados nas regiões
mais variadas, como a Europa e a África do Sul. Essas figuras
comprovam que a humanidade tem um fundo cultural comum. Nelas, a
cabeça está voltada para frente, o tronco apresenta-se num falso
perfil, os dois braços em semi-extensão, com o direito um pouco mais
alto que o esquerdo.
O corpo está
inclinado em relação às pernas, que estão levemente flexionadas. A
perna esquerda está à frente da direita, com o pé no chão, e o pé
direito está em relevé. O conjunto do desenho aparenta um giro com
as pernas flexionadas, e a figura está vestida com uma pele de bisão
e máscara de rena ou cervo. ("A figura de trois-Frères", em
Montesquiou-Avantès).
Como tudo que era
desenhado tinha caráter sagrado, presume-se que esta era uma dança
sagrada. O giro, mesmo nesses homens pré-históricos, provocava
sensação de vertigem e uma espécie de desapossamento de si mesmo, o
que nos leva a acreditar que essa dança era uma forma de "entrar em
contato com os espíritos ou qualquer entidade 'superior' ". Essa era
a dança participativa: o homem participava dos rituais.
No período Neolítico
o homem aprende a cultivar e se organiza em grupos e até em cidades.
Surge um esboço de classe sacerdotal, que vai "supervisionar" os
rituais de dança, não os deixando ao acaso das inspirações
individuais.
Dessa forma, a dança
deixa de ser participativa para se tornar representativa: o homem
deixa de entrar em contato com os espíritos para começar a
representar os mitos e os Deuses.
A dança
representativa utiliza máscaras, e, ao contrário de sua antecessora,
é feita em grupo. São danças de roda e em filas, e seus
participantes se encontram, na maioria das vezes, de mãos dadas.
Esse tipo de dança pode aparecer como uma forma de dança litúrgica,
como nos rituais dos enterros egípcios.
As primeiras
referências às danças recreativas também são do Egito Antigo: os
desenhos e esculturas da época retratam acrobacias, como figuras com
a cabeça e todo o corpo para trás formando uma ponte (fragmento da
dançarina, no museu de Turim).
A DANÇA HEBRAICA
O povo hebreu foi o
único a não transformar sua dança em arte, pois eram proibidos por
sua religião de representarem seres vivos.
Suas danças eram
espontâneas nas multidões, principalmente em rodas e fileiras.
O principal
documento que descreve a dança hebraica é a Bíblia, onde se
encontram várias citações:
Danças em fileiras aparecem, por exemplo:
1-No Êxodo 15, quando a profetisa Miriam, irmã
de Moisés, com tamborim na mão, dirige um coro de mulheres para
celebrar a passagem pelo Mar Vermelho;
2-O mesmo rito será dançado na vitória de Jefté (Juízes 11, -34),
3-Na vitória de Davi sobre Golias (Samuel 18, 6-7),
4-Na vitória de Judith sobre Holoferno (Judith 15, 12-13).
As rodas são evocadas em:
1-No Êxodo 32, quando, ao descer do Sinai,
Moisés encontra seu povo dançando em torno do Bezerro de Ouro;
2-Nos Salmos (26, 6): "Javé, ando em roda em torno de teu altar".
3-As "jovens de Silo" dançam em roda nos
vinhedos, sem dúvida durante a festa dos Tabernáculos, quando os
homens de Benjamin vêm raptá-las (Juízes 21, 19-23).
Uma dança
importante, que deve ser estudada mais detalhadamente, é a famosa
dança de Davi quase nu diante do Arco, ao voltar de Jerusalém
(Samuel 6). Essa dança se caracteriza por giros e saltos, lembrando
a dança pré-histórica, e talvez a nudez de Davi esteja relacionada,
milhares de anos depois, àqueles rituais.
A DANÇA NA GRÉCIA
Na Grécia antiga a
dança aparece completamente presente em quase todos os setores da
vida social: na religião, na educação, nas datas de comemorações,
nos ritos agrários, nos estudos filosóficos e na vida cotidiana.
As danças religiosas
eram as mais diversas possíveis: cada Deus tinha seu próprio rito, e
cada rito ainda tinha variações regionais. Os rituais mais
conhecidos atualmente são os Dionisíacos, ou seja, do Deus Dionísio,
o Deus do despertar primaveril da vegetação, da fertilidade e da
fecundidade, do entusiasmo e da embriaguez, do transe, do
irracional. Suas danças sofreram enormes modificações com o tempo:
De cerimônia
litúrgica com data fixa no calendário, tornou-se cerimônia civil,
depois ato teatral, para finalmente ser conhecida como dança de
diversão. De dança sagrada, passou a ser dança profana, seguindo
assim um movimento (sagrado-profano) encontrado em muitos aspectos
das culturas antigas.
Um exemplo da dança
Dionisíaca era um cortejo, onde Dionísio era acompanhado por mênades
(espécie de ninfa que representava uma amante insaciável) e sátiros,
cujos movimentos eram de passos corridos ou escorregadios, braços
escondidos em oposição, saltos com pernas esticadas ou flexionadas,
torso, pescoço e cabeça jogados para trás num gesto típico que
parecia triturar a nuca.
Encontramos algumas
citações interessantes dos filósofos gregos sobre a dança. Platão
estudou a dança e a classificou em dança de beleza e dança de
feiúra, com subgrupos (Leis, I); segundo ele, ordem e ritmo,
características dos Deuses, são também as da dança (Leis, II); "A
dança é um meio excelente de ser agradável aos Deuses e honrá-los"
(Leis, VI); "Os que honram melhor os Deuses pela dança são também os
melhores no combate" (Leis, VII); e além de tudo isso, dá proporções
corretas ao corpo. Os filósofos Pitagóricos afirmavam que "a dança
expulsa os maus humores da cabeça", um bom exemplo da crença de que
a dança era divina porque dá alegria. Uma canção de Anacreonte diz::
"Quando um velho dança, conserva seus cabelos de ancião, mas seu
coração é o de um jovem". Por não separarem o corpo do espírito, e
por ser a dança uma forma de integrá-los, os Gregos consideravam a
dança um dom dos imortais. Para eles, "os Deuses ensinaram a dança
aos mortais, para que estes os honrassem e os alegrassem através
dela".
O teatro grego
apresenta vários elementos com dança: os coros das tragédias e das
comédias clássicas podiam dançar, sendo que alguns coros apenas
dançavam, enquanto outro cantava "em off", num processo parecido com
a dublagem. Na comédia a dança era um pouco mais movimentada que na
tragédia, e caracterizava-se por saltos, pelo busto quebrado para
frente e por ondulações no quadril, que podiam lembrar a dança do
ventre. Havia ainda outros tipos de danças, como a sikinnis, a dança
da farsa, um estilo de teatro que mais tarde transformou-se na
comédia dell'arte.
O cotidiano do povo
grego era infestado de danças. Eles dançavam em ocasiões como
nascimentos, passagem de efebos para cidadãos, núpcias, banquetes, e
outros. Essas danças eram livres, não havendo uma lista de passos
preestabelecidos ou que deveriam ser aprendidos, mas rodas e filas
espontâneas. Os gregos costumavam dançar na meia ponta, as vezes tão
alta que era representada como ponta. Buscavam a simetria,
principalmente dos membros.
Havia ainda uma
posição muito comum: o pé colocado na altura do jarrete (articulação
atrás do joelho), lembrando um passe.
Existiam danças com
técnicas e passos convencionados, mas essas eram as danças dos
cultos, dos teatros ou das celebrações tradicionais.
Uma das danças mais
importantes era a pírrica, a dança guerreira e competitiva usada na
educação e na preparação militar. As crianças a aprendiam desde os 5
anos, e o aprendizado compreendia exercícios preparatórios de
flexibilidade onde os participantes jogavam o corpo para trás até
alcançarem os tornozelos com as mãos.
Em seguida, vinham
os exercícios de quironomia, nos quais aprendia-se o porte dos
braços e das mãos e simulava-se gestos de combate. Em ocasiões
solenes, os pirriquistas eram recrutados e treinados por cidadãos
ricos, e concorriam entre si nas apresentações: o primeiro
classificado ganhava um boi no valor de 400 gramas de prata, para
ser sacrificado. Em outras danças, praticadas por mulheres,
encontramos gestos interessantes, e um especial: com os braços em
oposição, a dançarina quebra os antebraços na altura dos cotovelos,
colocando-os num ângulo de 90º, um para baixo e um para cima.
No primeiro caso, a
palma da mão se abre em direção ao chão e, no outro, em direção ao
céu. Esse gesto foi encontrado em representações das mais diversas
danças, desde as pré-históricas às egípcias, e ilustra o intercâmbio
que houve entre as civilizações.
Nos banquetes,
dançarinas profissionais executavam movimentos provocantes e
acrobáticos, acompanhadas por uma tocadora de aulos. Existiam passos
e nomenclatura, e um exemplo é a kubistésis: a dançarina saltava
sobre as mãos, com a cabeça jogada para frente e ou recaía sobre os
pés ou permanecia equilibrada sobre as mãos e esboçava passos com os
pés.
Havia ainda
convenções com significações: os braços estendidos com as mãos
voltadas para o céu significavam súplica, as mãos estendidas diante
do espectador significavam apóstrofe ao público e as mãos
horizontais, paralelas ao chão, significavam tristeza.
Todas as danças e
movimentos estão gravados em vasos, além dos escritos dos filósofos
e estudiosos que dedicaram seu tempo às danças. Podemos encontrar
representações da pírrica, por exemplo, no flanco da Acrópole e no
friso do Partenon.
O IMPÉRIO ROMANO E A DANÇA

Estampa de figuras humanas em jarro típico.
Para ser estudada, a história do Império Romano
foi dividida em três períodos: Reis, República e Império.
Sob os Reis, do século VII ao século
VI a.C., a dança era praticada como rito religioso, freqüentemente
de origem agrária. Um dos rituais mais conhecidos era o Saliano: uma
dança guerreira, praticada mais comumente na primavera, em honra de
Marte (o mês do nascimento da primavera). Remetia a rituais que
garantiam a perenidade de Roma, utilizando-se de escudos sagrados
que eram guardados para esses eventos. Essa dança era um Tripudium,
uma dança em três tempos
No início da
República as origens sagradas da dança já estavam esquecidas. Por
isso, alguns estadistas como Cipião Emiliano e Cícero hostilizaram e
fecharam as escolas que ensinavam dança as crianças de boa família.
Porém, as danças tradicionais da velha cultura romana, como as
núpcias, não morreram.
Durante o Império a
dança voltou a ser praticada com freqüência, inclusive por mulheres
de classes altas, mas as danças que fizeram mais sucesso foram as
dos jogos de circo. A pírrica (dança típica da Grécia Antiga) voltou
a ser praticada, e os pirriquistas eram trazidos da Jônia. Existiam
até dançarinos famosos, como Batilo e Pílado, que eram reconhecidos
por seus estilos diferentes. Mas a dança que não era mais sagrada
também perdeu, além de seu sentido inicial, muitos movimentos e
denotações, chegando a ter características que a aproximavam da
indecência, como é o caso das danças de banquetes. Na pintura de
Pompéia no Museu de Nápoles, há um exemplo disso, de uma dançarina
nua.
A REPRESSÃO NA IDADE MÉDIA
A Idade Média foi
responsável por uma ruptura brutal na evolução da dança. Na
antigüidade, a dança era sagrada, e logo evoluiu para um rito tribal
em honra aos Deuses.
Por não aceitar
outras crenças, a Igreja Católica medieval proibiu esses tipos de
dança e a modernidade continuou o processo evolutivo apenas da dança
recreativa. Essa dança, mesmo não sendo proibida, era mal vista
pelas autoridades eclesiásticas, pois era dançada como uma
manifestação da espontaneidade individual.
Com isso, concluímos
que a dança não foi integrada à liturgia católica, apesar de
aparecer nas comemorações.
Como exemplo disso
temos um decretal do papa Zacarias, no ano de 774, "contra os
movimentos indecentes da dança ou carola" (Carola era uma dança
típica dessa época); ou um decreto do concílio de Avignon, dizendo
que "Durante a vigília dos Santos não deve haver nas Igrejas
espetáculos de dança ou carolas".
Apesar da repressão
e das proibições, pode-se encontrar evidências de que as pessoas
dançavam em comemorações e em momentos de festa. Eles dançavam a
Carola e o Tripudium, sendo a primeira uma dança de roda e o segundo
uma dança em três tempos, na qual os participantes não se tocavam.
Eram danças ao som
de cantos Gregorianos, e ritmadas com tambores e tamborins.
Dessa forma, a
Carola e o Tripudium eram dançados por qualquer um, mas apenas nas
ocasiões não religiosas. Era a dança popular e livre, que
significava comunhão porque era dançada em grupos, em rodas ou
fileiras.
Então, as camadas
privilegiadas, buscando uma forma de se diferenciar, inventaram uma
dança mais rica, na qual o corpo acompanhava uma métrica musical que
mudava. Ao mesmo tempo, começaram a procurar a beleza das formas, a
estética que iria organizar os movimentos.
Essa era a época do
início da decadência do feudalismo e os movimentos intelectuais
começavam a ganhar força. A dança erudita, das camadas
privilegiadas, separava-se das danças populares (Carola e Tripudium)
e a ciência que estudava as regras que regem o corpo começava a
ganhar espaço.
Em oposição ao
desenvolvimento do século XIII, o século XIV foi conhecido como "o
século negro". Na época da Guerra dos Cem Anos, das piores colheitas
da era medieval e da crise da Igreja, a dança seguiu as tendências
refinando suas formas, variando seus ritmos e simbolizando a morte
em seu sentido mais brutal.
Os ritmos passaram a
ser mais variados, alternando tempos lentos e tempos rápidos. A
Carola, dança da Alegria, tornou-se uma dança macabra, muitas vezes
dançada em cemitérios. Esse costume difundiu-se com o objetivo de
mostrar que "a vida é uma Carola conduzida pela morte",
transformando a morte num motivo para se viver de acordo com as
regras e dogmas católicos (o medo de ir para o "inferno" comandava
as escolhas e as vidas das pessoas). Dançava-se até para espantar
uma epidemia. Nessa época, a única dança destinada ao espetáculo era
a dança dos nobres: as outras danças eram como rituais.
Foi nesse momento,
entre os nobres, que apareceu o Momo, um gênero de dança que serviu
como base do futuro ballet-teatro. Era uma espécie de Carola,
onde os participantes dançavam mascarados e disfarçados.
Uma história
interessante sobre essa dança é a do Rei louco:
"Numa festa na mansão Saint Paul, por ocasião do casamento do Duque
de Vermandois com a dama de honra da Rainha, o rei Carlos VI - dito
o louco - quis fazer um momo e se disfarçou, com quatro
companheiros, de "homem selvagem".
Estavam cobertos de
pêlos, da cabeça aos pés. Usavam camisas impregnadas de pez sobre as
quais haviam posto grandes quantidades de fios de linho fino. Para
reconhecer o rei, o duque de Orléans aproximou uma tocha de fogo dos
momos. Os cinco começaram a pegar fogo. Três morreram imediatamente,
um outro no dia seguinte; o rei foi salvo pela duquesa de Orléans
que se jogou sobre ele e abafou o fogo com as dobras de seu amplo
vestido".
Nos bailes de Momos
dançava-se a Mourisca, uma dança importada dos árabes, em ritmo
binário, marcada por batidas dos pés ou, em caso de cansaço, dos
calcanhares. O movimento da coreografia era o seguinte: bate-se o
calcanhar direito (no chão) / bate-se o calcanhar esquerdo / bate-se
os dois calcanhares (um no outro) / suspiro. Na verdade, as
partituras indicam uma pausa no momento do suspiro. O momo tornou-se
uma dança espetáculo quando começou a ser dançado como atração entre
os pratos de um banquete.
Já no final do
século XV o momo estava estabelecido com firmeza nas cortes de
príncipes. Apresentava, então diversos elementos dos ballets de
corte (antecessores dos ballets de repertório), como dançarinos,
cantores, músicos, carros, efeitos de maquinaria; mas faltava-lhes a
"alma" do espetáculo: uma ação dramática coordenada e a diversidade
das danças, pois apenas dançavam a Carola e a Mourisca.
A DANÇA NO RENASCIMENTO

A dança inspirava a arte no renascimento e nos séculos seguintes
Edgar Degas - Exame de Dança
Nessa época, na
França e na Itália a arte renasceu: um movimento cultural,
denominado de Renascimento na França e de Quatrocentos na Itália foi
o responsável pelo desligamento da arte com a Igreja e pelo
desenvolvimento de uma sociedade que valorizava e arcava com os
custos da arte. A burguesia, uma classe de comerciantes que
enriquecia facilmente, crescia aos poucos, mostrando-se uma classe
liberal e revolucionária. A Nobreza, por sua vez, cultuava o
comportamento refinado, buscando a "arte de viver com elegância".
Nesse terreno
extremamente fértil para o desenvolvimento e os estudos das artes, o
intercâmbio entre os dois países foi intenso, o que favoreceu ainda
mais e diversificou esses movimentos.
A dança de corte assinalava uma nova etapa: aquela dança metrificada
que havia se separado das danças populares se tornou uma dança
erudita, onde os participantes tinham que saber, além da métrica, os
passos.
Com isso, surgem os profissionais e mestres, que estudavam as
possibilidades de expressão do corpo e conseqüentemente elevavam o
nível técnico das danças. É importante lembrar também que eram
pessoas que dedicavam muito mais de seu tempo para a dança do que
aqueles que apenas dançavam por diversão. Os professores eram
pessoas altamente valorizadas nas cortes, sendo convidados especiais
em todas as festas e respeitados pelas famílias. Eles chegavam a
assumir o papel de pais e chefes de família nas apresentações das
noivas a suas futuras famílias, pois esses eventos eram feitos sob a
forma de um ballet mudo.
Ainda nessa época,
foram escritos os primeiros livros sobre a dança. O primeiro deles
teria sido "Il perfetto Ballerino", de Rinaldo Rigoni, imprimido em
Milão em 1468. Infelizmente, essa obra não existe mais. O mais
antigo livro sobre dança que temos atualmente é "L'art et
Instruction de bien danser...", editado por Michel Toulouse em
Paris, de 1496 a 1501.
Das escrituras
antigas, a que melhor nos retrata a dança do Quatrocentos é um
manuscrito de Domenico da Piacenza, que está atualmente na
Biblioteca nacional de Paris. Ele retrata uma gramática do
Movimento, baseada em cinco elementos constituintes da dança:
métrica, comportamento, memória, percurso, aparência. É importante
lembrar que esses termos não têm o mesmo significado exato de hoje.
Uma segunda parte desse manuscrito enumera os passos fundamentais,
dentre os quais temos os passos simples e duplos, a volta e a
meia-volta (que não eram em meia-ponta), os saltos, os battements de
pés e as mudanças de pés.
No cinquecento (séc.
XVI), como poderíamos esperar, a evolução rumo a uma técnica mais
apurada prosseguiu. Dois autores foram responsáveis por esse
desenvolvimento: Cesare Negri e Marco Fabrizio Caroso. O primeiro
escreveu um tratado com cinqüenta e cinco regras técnicas,
descrições coreográficas e novos passos, como o trango (meia-ponta)
e o salto da fiocco, uma espécie de jeté que girava. Sua mais
importante contribuição foi a introdução do piedi in fuore, o início
do en dehors. O segundo apresenta em seu tratado a pirueta e passos
que deram origem ao pas de bourré e ao coupé (fioro e groppo,
respectivamente). As obras que se seguiram apresentam 68 tipos de
passos com relevés.
OS GRANDES BALLETS DE CORTE

Figura
retratando a dança de
Luís XIV
As danças de
corte eram executadas como coreografias, sempre da mesma forma, e
deviam ser aprendidas por todos os nobres. Cada coreografia possuía
um nome, como o Pas de Brébant e o Bransle franceses, o Canário, a
Chacona e a Passacale vindos da Espanha, e a Pavana, o Pazzo mezzo e
a Volta italianas.
Essa última, a
Volta, era considerada uma dança imoral, porque os cavalheiros
seguravam as damas proximamente de seus corpos, giravam sobre si
mesmos fazendo-as saltarem, numa espécie de carregada. Com esse
movimento, as longas saias levantavam-se e mostravam parte dos
tornozelos.
Essa dança pode ser
vista no filme "Elizabeth" que concorreu ao Oscar em 1999, onde Cate
Blanchet (Rainha Elizabeth) e Robert ) executam os passos diante da
corte boquiaberta!
Já os Ballets de
Corte eram uma espécie de teatro dançado, bastante comuns nos
grandes acontecimentos. Para se entender como era um Ballet de Corte
basta-se imaginar uma peça de teatro com as danças da época, que
usava poesia para contar a história e que não era repetido muitas
vezes, no máximo 1 ou 2, e é por isso que não foram conservados como
os repertórios.
Na realidade,
possuíam cinco elementos constituintes: dança, música, poesia,
cenário e ação dramática.
Os Ballets de Corte
surgiram na França, mas a partir de 1600 se espalharam pelas cortes
de toda a Europa. Na segunda metade do século XVI uma grande
quantidade de problemas na sucessão dos reis da França, brigas e
guerras entre as famílias dos nobres geraram a necessidade de se
reafirmar o poder real. O ballet se tornou, então, um meio
privilegiado de propaganda, e após a consolidação do reinado de Luís
XIV, era dançado como uma cerimônia de adulação ao Rei. Aliás, Luís
XIV era um apaixonado pela dança.
Praticou desde
pequeno, às vezes até preocupando os responsáveis por sua educação
porque ele não se interessava por mais nada. Incentivou a dança
durante todo o seu reinado, e não só compôs um ballet inteiro como
participou como ator de muitos, e, a título de curiosidade, preferia
os papéis de "grotescos mal vestidos" e de mulheres.
Desse modo, os
ballets contavam desde fatos políticos como uma vitória na guerra
até romances. Infelizmente, não há sequer resquícios de libretos que
narrassem as histórias representadas. O que podemos descrever é que
as coreografias apresentavam figuras geométricas como círculos,
quadrados, triângulos e até letras, geralmente a letra do monograma
do rei.
Para que essas
formações fossem visíveis, as danças eram exibidas num nível abaixo
dos espectadores, numa forma parecida mas não semelhante à dos
teatros de arena ou dos estádios de futebol (bem menores,
logicamente). É interessante notar que a dança de corte utiliza como
personagens elementos não humanos, até Deuses das culturas grega e
romana, que representam as pessoas da vida real. Para ilustrar,
descrevemos abaixo dois Balés muito importantes:
O primeiro Ballet de
Corte que apresentava os cinco elementos conjugados (dança, música,
poesia, cenário e ação dramática) foi feito em 1564, quando Carlos
IX, influenciado por sua mãe, fez uma viagem de propaganda pela
França. Perto do feudo de seu rival, o duque de Guise, foi
representado um balé onde Júpiter, que representava o Rei,
apaziguava as desordens que os outros quatro astros (planetas, na
realidade) "aprontavam".
O Ballet Comique de
La Reine (Balé cômico da rainha) foi um dos mais conhecidos,
servindo de modelo para todos os que foram criados depois. Ele foi
apresentado em 1581, na ocasião do casamento do Duque de Joyeuse com
a irmã da rainha, e durou quase cinco horas. Nele havia seis
entrées, e as formas geométricas eram largamente utilizadas. Sua
principal inovação foi o final, onde todos os nobres entram num
enorme baile, participando, assim, do grand-finale da "história"
contada.
O Rei Luís XIV,
nesse Ballet, era diferenciado por fitas amarradas nos braços.
A dança começa, então, a retratar apenas a Antigüidade clássica
(greco-romana), tornando-se repetitiva, monótona e perdendo de vista
os valores em transformação da época. Somado a isso, a exigência por
perfeição técnica de Luís XIV faz com que surja uma arte rigorosa e
artificial, na qual o gesto tinha mais importância que a emoção que
o produziu. Dessa forma, a expressão individual foi recusada em
favor de uma cultura perene, que continuasse sendo lembrada e
usufruída através dos tempos.
Percebe-se que a
dança nessa época se aproxima perfeitamente dos ideais greco-romanos
de perfeição estética e de imortalidade.
Em 1661, primeiro
ano de Luís XIV em poder oficial, ele fundou a Academia Real de
Dança, antes mesmo das Academias de Letras (1663) e de Ciências
(1666). A Academia Real de Dança tinha a função de preservar a dança
e a qualidade técnica. Nenhum ballet podia se apresentar na Corte ou
fora dela sem antes ser aprovado pelos acadêmicos. Todavia, a
academia não foi totalmente levada à sério nem mesmo pelos seus
próprios membros, de forma que não cumpriu sua missão e foi fechada
em 1780.
A INVENÇÃO DA DANÇA CLÁSSICA
 
A evolução da técnica da dança
clássica foi de responsabilidade de um homem: Charles-Louis- Pierre
de Beauchamps. O mestre de Beauchamps foi uma espécie de principal
coreógrafo da França. Quase todas as grandes produções tiveram um
toque seu, principalmente as da corte.
Ele colocou em prática um "sistema de
dança", que, de acordo com os ideais de Luís XIV, tendia à beleza
das formas, à rigidez, ao virtuosismo, que valorizava a estética do
corpo, demonstrando o quanto que a estética do movimento, naquela
época, era mais importante que a emoção que o gerou.
Assim, houve uma intensa
profissionalização dos bailarinos e de outros profissionais ligados
à dança.
A técnica era quase tudo. Beauchamps
se apropriou dos passos do Ballet de Corte transformando-os,
lapidando-os até chegar em produtos que são conhecidos atualmente:
os entrechats (entrechatquatre, entrechatcinq, etc.), o grand-jeté,
o pas de bourré. Além disso, ele também estabeleceu as 5 posições
básicas, como formas de se aproximar ou afastar os pés numa
distância proporcional e medida. Sua intenção era descobrir uma
maneira certa para que o corpo do bailarino encontrasse sempre o seu
eixo e o equilíbrio, estando ele dançando ou parado. Dessa forma, o
mestre criou uma forma de se "escrever" o ballet, a partir da
nomenclatura que deu aos passos formais de sua autoria.
Um outro grande contribuidor da dança
clássica foi Moliére. Primeiramente um produtor de espetáculos de
teatro, Moliére adotou a dança em suas montagens e logo passou a
criar suas conhecidas comédias-ballet, que eram, em sua essência, um
Ballet de Corte com algumas novidades, mas que ainda usava récita de
versos em sua trama. Uma das diferenças era o tema, pois Moliére
rompeu com o tédio causado pela utilização da mitologia grega. Suas
histórias eram uma pintura dos costumes, como as comédias que
conhecemos atualmente.
Na realidade, a maior inovação das
comédias-ballet está na integração total da dança com a ação
dramática. Se antes, nos Ballets de Corte, a dança servia para
"enfeitar" o enredo, com Moliére a dança tem um porquê de estar no
meio da ação.
Em quase todas as obras, Jean Baptiste
de Lully foi seu parceiro, e quando se separaram mais tarde, Lully
produziu espetáculos que não passavam de remontagens de peças de
Moliére e do Mestre de Beauchamps. Lully acabou realizando um
movimento contrário ao da época, pois suas remontagens diminuíam a
importância da dança em relação aos outros elementos do espetáculo.
Assim, ele contribuiu com a longa sobrevivência do Ballet de Corte,
onde a dança não era o principal elemento.
Nessa mesma época, em meados do século
XVII, surgiu uma outra figura importantíssima para a dança: a
senhorita Lafontaine, conhecida como a primeira bailarina a dançar
sozinha.
A EVOLUÇÃO NO SÉCULO XVIII
Em 1713, foi fundada
a escola de dança da Academia Real. Havia um regulamento que impunha
que os diretores escolhessem os melhores súditos e ensinassem para
eles gratuitamente sua técnica. Sem dúvida, a criação da escola
colaborou para o aprimoramento técnico da dança, mas por outro lado
contribuiu para a monotonia que foi gerada pelo apego ao movimento e
o esquecimento da emoção que ele exprime. Havia uma rotina na escola
que se fixava ainda mais no virtuosismo puro.
Nessa época,
surgiram estudiosos que desejavam escrever a dança. Eles criaram uma
espécie de partitura, onde os nomes dos passos, símbolos e desenhos
são escritos paralelamente às notas musicais. Nos livros onde foi
"escrita" a dança, também foram catalogados novos passos: relevés,
tombés, glissés, diversos tipos de pequenos saltos, cabrioles, coupé
(que não era igual ao coupé de hoje) contratempos, chassés e
sissones. Obviamente, o desenvolvimento da nomenclatura e da escrita
da dança clássica facilitou o ensino e ampliou o aprendizado da
dança. Mas os coreógrafos não adotaram a técnica da escrita, e por
isso, ao contrário do que aconteceu com a música, não é possível
reproduzir um ballet assim como ele foi concebido. Havia uma certa
resistência à escrita: segundo um famoso maitre de ballet da época,
"A coreografia escrita apaga a genialidade".
Foi a partir desses pequenos avanços que surgiu a dança acadêmica, a
técnica clássica definida, que é a mesma técnica que conhecemos
hoje, apesar das mudanças e influências sofridas nesses dois
séculos.
A ÓPERA-BALLET
Na primeira metade
do século XVIII, entra em cena na França a ópera-ballet, que
realizou o inverso dos ballets anteriores. Nas comédias-ballet, a
dança está a serviço do enredo, da música, e dos outros elementos.
Já na ópera-ballet, todos os elementos estão subordinados à dança e
servem para conduzi-la. Era praticamente uma peça inteiramente
cantada e dançada. O enredo, porém, era extremamente fraco, não
havendo uma trama ou história propriamente dita, com início, meio e
fim. Personagens mitológicos voltaram a ser usados, porém viviam
como se fossem mortais, quase sempre passando por aventuras
amorosas.
A ópera-balé herdou
dos ballets de corte a cenografia e as vestimentas pouco adequadas.
As roupas cobriam todo o corpo e inclusive o rosto: as máscaras eram
amplamente utilizadas, de forma que não trabalhavam a expressão
facial. O figurino era sempre pesado e incômodo, quase incompatível
com a dança leve e elevada, mas, no entanto, a técnica era bem menos
rigorosa que a atual.
A REFORMA DA DANÇA
Em 1754, Luís de
Cahusac foi o primeiro a criticar o excessivo apego à forma e não ao
conteúdo da dança. Ele era um famoso libretista (que constrói o
libreto, a história da peça), historiador, e, principalmente,
crítico.
Para ele, qualquer
manifestação artística servia para imitar a vida real, e por isso a
dança deveria ser uma forma de se expressar com o corpo as
intempéries da alma.
Franz van Weuwen
Hilferding, um bailarino austríaco que estudou na França, se tornou
maitre de ballet em Viena, Stuttgart, e São Petersburgo, onde
produziu ballets repletos de ações, mímicas e mise-en-scenes. Mas
esses ballets ainda não constituíam uma ação completa, eram um
aglomerado de historietas que juntas não tinham sentido algum.
O principal nome da
reforma é Jean Georges Noverre. Conhecido por sua insatisfação com a
dança e as regras de sua época, ele estudou dança mas não entrou na
Academia Real, como ditavam as regras. Começou, então, a viajar de
um lugar para outro, primeiramente como bailarino, e logo
coreografando peças e espetáculos. Com 27 anos já era um maitre de
ballet de renome, espalhando suas idéias inovadoras por onde
passasse e influenciando toda a Europa.
Dessa forma, depois
de muito viajar por todo o continente, foi finalmente nomeado Maitre
de Ballet da Academia Real de Paris (contra a vontade do corpo de
baile e dos tradicionais, porque esses acreditavam que só alguém que
já foi bailarino da Academia poderia ser maitre da academia). Lá,
ele criou poucas peças em virtude da falta de apoio por parte dos
bailarinos, mas talvez uma delas seja a mais inovadora de sua
carreira: "lês Caprices de Galanthée", em 1781. Não continha canto,
mas apenas danças e mise-em-scenes. Foi o primeiro ballet a romper
definitivamente com o estilo das óperas. Noverre criou, assim, o
ballet que girava em torno de uma só ação dramática, que contava uma
história, síntese do Ballet de Repertório.
O mestre acreditava
que, antes de ser uma manifestação estética, a dança era uma forma
de se exprimir emoções com o corpo. A estética do movimento era
apenas uma conseqüência da emoção que brotava na alma do dançarino.
Os bailarinos não poderiam deixar de lado a técnica, mas esta não
era, de forma alguma, mais importante que a emoção que a dança busca
exprimir.
A abertura do
quadril seria trabalhada através de exercícios como os rond de jambs
e grand battements. Ele ainda criticava os bailarinos de sua época
por trabalharem excessivamente o corpo e pouco a alma, tornando-se
ignorantes na arte expressiva. Para ele, o bailarino deveria dividir
seu tempo igualmente entre os estudos da arte dramática e as aulas
para o corpo.
Noverre criticou
fortemente as vestimentas que cobriam os bailarinos: para ele, tudo
deveria facilitar a técnica e principalmente a expressão no
desenvolvimento da trama da história de cada ballet. Por isso, ele
também retirou as máscaras de cena: "O rosto é o órgão da cena muda,
é o intérprete fiel de todos os movimentos da Pantomima (dança
expressiva), é o suficiente para banir as máscaras da dança".
Em 1789, um
discípulo de Noverre, Jean Dauberval, foi para Bordeaux, seguindo
uma bailarina que amava, mas que não se dava bem com a direção da
Ópera de Paris. Em Bordeaux, Dauberval criou La Fille Mal Gardée, o
mais antigo ballet dançado até hoje. Quase nada de sua coreografia
original foi mantida, mas sabe-se que era um ballet alegre e
impregnado dos ideais da Revolução Francesa.
Nasceram assim os
Ballets de Repertório, que vêm sendo dançados e adaptados até hoje,
e nos quais a ação dramática deve ter início, meio e fim,
representados a partir de danças e mise- en-scenes. O mestre Noverre
transformou o ballet clássico em uma dança que não se limitava a uma
execução mecânica, que foi capaz de emocionar pessoas em todo o
mundo nos séculos seguintes.
OS BALLETS ROMÂNTICOS
Foi na época do
romantismo que os Ballets de Repertório se firmaram. O Romantismo
foi um movimento artístico de valorização do sentimento em
detrimento da razão (como desejava o mestre Noverre) e no qual a
imaginação era deixada à solta, sem qualquer controle ou
auto-censura. Dessa forma, a dança que expressa algo, que mostra
sentimento, cresce notoriamente, sem deixar morrer o imenso
desenvolvimento técnico que havia acontecido anteriormente.
No momento, o que se
buscava através da técnica eram formas expressivas, a poesia do
corpo, a fluidez da dança e não o virtuosismo e a beleza das formas.
Esses novos ideais, baseados na "Igualdade, Liberdade e
Fraternidade" da Revolução Francesa, se afastam totalmente dos
ideais estéticos greco-romanos. Os artistas tendem a se inspirar no
seu cotidiano, nas suas emoções reais, e não na idealização da
perfeição dos Deuses.
Uma das grandes
inovações da Era Romântica foi o surgimento da dança na ponta dos
pés. Eis um bom exemplo dos ideais românticos: houve um imenso
desenvolvimento da técnica, mas os objetivos desse desenvolvimento
vão muito além da estética da forma: na ponta dos pés, a bailarina
se torna muito mais leve e expressiva, pelo menos aos olhos do
espectador. Com as pontas, surge a supremacia feminina no balé: os
bailarinos agora serviam de suporte, para apoiar e levantar as
grandes estrelas. Para isso, eles deviam ser fortes, e belos e
expressivos para as histórias de amor. A dança agora se torna mais
sensual (para os padrões da época): para equilibrar a bailarina na
ponta, o partner deveria ampará-la com seu corpo ou ao menos
segurá-la pela cintura.
Nesse clima, em
1832, nasceu La Sylphide. Foi o primeiro ballet já coreografado para
as pontas. Retratava um dos temas preferidos do romantismo: o amor
entre mortais e espíritos, e inaugurava a imaginação sem fim, que
tratava de temas cotidianos somados a seres como ninfas, duendes,
fadas e elfos. Os Deuses do Olimpo (gregos e romanos) estavam quase
esquecidos.
As roupas brancas e
longas das ninfas, quase sempre com fartas saias de tule com
collants, acentuavam o corpo das bailarinas, o que contribuiu para a
sensualidade e para a necessidade de se lapidar ainda mais a
técnica, pois agora o corpo aparecia mais (as saias de tule são um
pouco transparentes) e não era mais tão disfarçado pela roupagem.
Nesses mesmos
moldes, o ballet "Giselle" estreou em 1841, sendo remontado mais
tarde pelo menos duas vezes.
Assim como La
Sylphide, Giselle apresentava um 1º ato realista, entre os
camponeses, e o 2º ato mais fantástico. Ao invés das ninfas
apresentadas no primeiro ballet, no segundo ato de Giselle surgiram
novos seres imaginários, as Willis, que eram como ninfas más.
Dos grandes nomes da
primeira metade do século XIX, La Sylphide lançou Maria Taglioni, a
mais perfeita bailarina romântica, harmoniosa, que parecia flutuar.
Giselle lançou Carlota Grisi, uma mulher com uma interessante
história pessoal, inspiradora do ballet: foi profundamente amada por
Julius Perrot, o coreógrafo do ballet, com quem viveu, e também foi
musa inspiradora do Libretista dessa obra, Theóphile de Gautier, que
morreu balbuciando seu nome. A segunda bailarina que estrelou
Giselle foi Fanny Esler, muito conhecida por seu estilo forte e
voluptuoso.
A DANÇA ESPALHA-SE PELA EUROPA
O romantismo marca
também a queda da dança francesa. Nessa época, os grandes nomes,
sejam coreógrafos ou bailarinos, circulavam por toda a Europa, e
principalmente por São Petersburgo e Viena. Na Ópera de Paris nada
de esplendoroso aconteceu, a não ser da criação de Le Corsaire, de
Mazilier, em 1856, e Coppélia, de Arthur Sait-Leon, em 1870.
As bailarinas
italianas espalhavam uma nova "moda": a dança mais acrobática, mais
voluptuosa, como a de Fanny Esler. Na Rússia, a monarquia dos Czares
incentivava e investia na dança, como forma de mostrar seu poder e
grandiosidade. Tal situação atraiu talentos de toda a Europa, que
fugiam do mercantilismo e da conseqüente falta de investimento na
dança. Dentre eles, estava Marius Petipa, o homem que ergueu e
tornou conhecida e respeitada a escola russa.
Primeiramente, ele
treinou os alunos russos para substituírem as estrelas estrangeiras
contratadas para os papéis principais das obras apresentadas. Logo,
trabalhou em uma técnica especialmente russa, criando uma escola e
bailarinos reconhecidos por sua técnica clássica em quase todo o
mundo.
Além disso, Petipa
foi o criador da maior parte dos Ballets de Repertório preservados
até hoje. São eles: Dom Quixote, de 1869; La Bayadère, de 1877; A
Bela Adormecida, de 1890; O Lago dos Cisnes, de 1895; e Raymonda, de
1898.
Além desses, Petipa
remontou grandes ballets já reconhecidos na época, como Giselle, em
uma versão especialmente russa. Era sua característica montar obras
que fugiam um pouco do espírito do romantismo - que a esta altura já
estava em decadência - pois recheava seus atos com números
virtuosísticos que não tinham muito a ver com a história que estava
sendo contada. Esses números não se desviavam suficientemente da
obra para enfraquecê-la, mas tornavam os ballets de Petipa ricos
superespetáculos. Um bom exemplo dessas "interferências" dentro do
enredo do ballet é o Pas-de-deux do Pássaro Azul no último ato de A
Bela Adormecida. Além disso, seus ballets sempre agradavam ao
público.
Petipa trabalhou com
diversos compositores como Drigo, Glazunov (Raymonda) e Minkus (La
Bayadère), mas a parceria mais brilhante foi com Tchaikóvsky, em A
Bela Adormecida. Dois anos após a morte do compositor, remontou O
Lago dos Cisnes (que já havia estreado anteriormente com outro
coreógrafo, mas fracassou) em parceria com seu assistente Lev
Ivanov, não menos talentoso que o mestre e seu sucessor. O Lago
talvez seja a mais conhecida e mais admirada obra clássica
representada atualmente.
A Partir de 1887,
Petipa integrou a seu estilo as novidades vindas da Itália, sob pena
de sair de moda. Após essa data, seus ballets expressam a
virtuosidade formal italiana, e tramas um pouco mais simples. Por
isso, foi criticado por escolher os temas de suas obras não pelo
valor, mas pelas possibilidades cênicas que ofereciam.
É verdade que o
coreógrafo valorizava a técnica e as formas, mas o abandono da
poesia e da sensibilidade, como aconteceu no início do século XVII,
foi tão leve que se tornou insuficiente para tirar o brliho dos
grandes ballets que criou. Tão imenso é esse brilho, que esses
ballets encantam as platéias e influenciam bailarinos e coreógrafos
até hoje, século XXI.
O NEOCLASSICISMO NA DANÇA
A partir do início
do século XX, a influência do ballet russo se espalhou por toda a
Europa. A grande expansão da dança russa se dá com Diaghilev, um
amante das artes que organizou uma espécie de "grupo itinerante",
que apresentava os ballets russos por todo o mundo. Com Diaghilev
trabalharam alguns dos maiores nomes do século XX: Michel Fokine
(coreógrafo de Les Sylphides), Anna Pavlova, Nijinsky (grande
bailarino e autor de peças como A Sagração da Primavera) e
Balanchine (também coreógrafo e fundador do New York City Ballet).
Diaghilev acreditava
que a dança deveria ser o encontro de todas as artes, e por isso os
cenários das peças de seu grupo costumavam ter assinatura de grandes
nomes, e as músicas eram de autoria dos novos talentos como
compositores, como Stravinsky. Isso tudo sem contar com inovações
como a valorização do corpo de baile, que então deixou de apenas
figurar, ganhando mais números e destaque.
Enfim, foi graças a
Diaghilev que a força da dança ressurgiu no ocidente, chamando a
atenção do público (porque suas peças eram sempre ricas ou
polêmicas) e dos novos talentos que surgiram a partir de então. Era
uma nova dança: extremamente virtuosa, com um toque de poesia,
modernidade e inovação.
Nessa mesma época, um grupo sueco
causa grande polêmica. Interessados em romper com as tradições, em
1920 Rolf de Maré e o coreógrafo Jean Börlin fundam um grupo cuja
maioria provinha da Ópera Real de Estocolmo. Os suecos passaram 5
anos espalhando sua polêmica na Europa, participando da
extraordinária criatividade de sua época e transformando o ballet em
uma arte contemporânea. Suas peças mais marcante foram La Création
du Monde, em 1923 e Relâche, em 1924, sendo que esta última foi a
primeira peça de ballet que utilizava cinema (o filme entre'acte, de
René Clair). Sendo assim, os suecos foram responsáveis pela
introdução do cubismo no balé, utilizando até um cenário de Picasso
no ballet Icaro.
Em 1925, não agüentando as pressões
que sofriam, por problemas e contradições de sua arte (a técnica
acadêmica clássica ainda era utilizada, com toda a sua rigidez,
apesar de toda a maleabilidade de suas idéias, cenários e histórias)
o grupo se dissolveu.
Foi assim que a dança, ainda clássica, incorporou os
ideais modernos. Através desses grupos, das concepções coreográficas
de Balanchine, Fokine e Nijinsky, de bailarinas revolucionárias e
marcantes como Anna Pavlova. As primeiras décadas do século XX se
dividiram, assim, entre o brilhantismo acadêmico russo e as
inovações dos grupos (russo e sueco) que percorreram o ocidente.
A DANÇA MODERNA
A dança moderna
nasceu nos Estados Unidos, e até hoje é um produto tipicamente
americano. Fruto de novos pensamentos e crenças de algumas poucas
pessoas, se adaptou rapidamente aos novos anseios da sociedade, e os
discípulos desses poucos se multiplicaram vertiginosamente.
O "teórico" da dança
moderna é François Delsarte, e o conjunto de suas idéias é conhecido
como Delsartismo. Quando jovem, no início do século XIX, Delsarte
foi inserido no meio da arte mas nunca foi considerado um artista
brilhante. Por isso, muito cedo encerrou sua carreira, e culpou seus
mestres pelo seu fracasso. Delsarte achava que a técnica deveria ser
ensinada de forma adaptada a cada organismo, a cada pessoa e suas
limitações. É assim que ele começa a estudar a relação entre a voz,
o movimento, a expressão e a emoção do ser humano, começando
primeiramente a se dedicar aos ramos artísticos que conhecia, como o
canto e as artes plásticas, e mais tarde se interessou pela dança.
Nesse ponto aparecem
os fundamentos mais básicos da dança moderna: Delsarte constatou que
a base de toda expressão é a tensão e o relaxamento dos músculos.
Por exemplo, a extensão de todo o corpo está relacionada ao
sentimento de auto-realização, e o dobrar do corpo traduz o
sentimento de anulação. Cada sentimento tem sua própria tradução
corporal.
O Delsartismo foi
transmitido por toda a Europa, e através de Steele Mackay, um ator
americano que se tornou discípulo de Delsarte, chegou aos Estados
Unidos. E é lá que a dança moderna, mais viva expressão do
Delsartismo, se desenvolveu.
Ø Isadora Duncan
"Desde o início, apenas dancei a minha vida"
Isadora não tinha o biotipo adequado para a técnica clássica
acadêmica, apesar de tê-la estudado quando nova. E foi por isso, com
certeza, que se tornou a dançarina moderna mais conhecida até hoje.
Ela questionou a dança acadêmica, o porquê de cada passo, de cada
movimento. Com toda a sua rigidez, a técnica clássica deixou para
trás a origem de seus passos e movimentos.
Dessa forma, Isadora colocou em prática os ideais do Delsartismo,
dançando sua vida. Durante as primeiras décadas do século XX viajou
por toda a Europa, além dos Estados Unidos, onde nasceu e iniciou
seus estudos. Usando os movimentos que entendia como os mais
adequados para expressar cada emoção, criou diversas coreografias
que significavam não mais do que aquilo que realmente sentia.
Isadora não teve discípulos diretos, não criou uma técnica bem
definida que pudesse ser passada adiante. Mas, sem dúvida, foi a
responsável pela popularização da dança moderna. Através de suas
coreografias, o mundo conheceu a dança que se desenvolveria a
seguir, e que conquistou o século XX como a dança que tinha a alma
da modernidade.
Ø Martha Graham
Martha Graham seguiu os ideais Delsartianos quando estes já estavam
mais consolidados. A Denishawnschool, escola fundada por Ruth
Saint-Denis e Ted Shawn, e primeira escola que trabalhava com
técnica moderna, já era grande e produzia muitos novos talentos, que
iriam mais tarde fazer a "cara" da dança moderna. E foi de lá que
saiu Martha Graham. Ela trabalhou para desenvolver uma técnica
baseada no tension-release (tensão-relaxamento) e que tornaria o
aprendizado e o ensino da dança moderna muito mais fáceis.
Além disso, antes de Graham a dança moderna se inspirava quase que
exclusivamente em motivos orientais, em outras culturas. Graham
admite ter saído da Denishawnschool por não agüentar mais dançar
divindades hindus ou ritos astecas, e por ter como objetivo tratar
de temas mais atuais. Ela queria ir mais fundo, conhecer e dançar os
mais profundos temas da alma humana. Para isso, utilizou as
tragédias gregas para construir suas coreografias. Desde Édipo até
Minotauro, os personagens gregos e seus dramas serviram de
instrumento para os estudos de Graham
Martha Graham consolidou e colaborou com a construção da "nova
gramática" da dança, onde retornamos à origem de cada movimento e
sua relação com os sentimentos para polí-los e transformá-los em
movimentos atuais. Os giros, que na pré-história serviam como forma
de se entrar em contato com as divindades, através de transe, voltam
a ter esse mesmo sentido. Mas agora eram mais polidos e com uma
estética mais definida, que agradasse ao público. Tudo foi
redefinido

Martha Graham
O JAZZ
O Jazz é um ritmo
que nasceu diretamente da cultura negra. No início, nas viagens dos
navios negreiros da África para os Estados Unidos, os negros que não
morriam de doenças eram obrigados a dançar para manterem a saúde. As
danças tradicionais dos senhores brancos eram as polcas, as valsas e
as quadrilhas, e os negros os imitavam para ridicularizá-los, mas
dançavam de acordo com a visão que tinham da cultura européia, e
misturando um pouco com as danças que conheciam. Dessa forma, surgiu
a dança que era uma mistura da imitação dos ritmos europeus com os
costumes naturais dos negros
Em 1740, os tambores
foram proibidos no sul dos Estados Unidos para evitar insurreições
(revoltas) dos negros. Assim, para executar suas danças, eles foram
obrigados a improvisar com outras formas de som, como palmas,
sapateados, e o banjo. Mais uma vez, a dança dos negros dava um
salto, aproximando ainda mais com o que conhecemos atualmente.
No início deste
século, as danças afro-americanas começaram a entrar para os salões,
e a sofrer novas influências: do can-can e do charleston,
principalmente. Logo, essa dança que se pode até chamar de "mista",
tomou conta dos palcos e da Broadway, se transformando na conhecida
comédia musical. A comédia musical, por sua vez, não é nada mais que
o segundo nome dado à dança mais conhecida como jazz.
Fonte de Pesquisa: Centro Artístico de Dança
www.centroartisticodedanca.com.br
HISTÓRIA DO SAPATEADO
Na Irlanda, o Irish Jig
exigia de seus bailarinos um rápido e complexo trabalho dos pés, com
os braços próximos ao tronco. Séculos mais tarde, em Lancashire,
Inglaterra, o "Lancashire Clog" foi originariamente executado com
tamancos de madeira, que, ao tornaram-se perigosos devido à
crescente complexidade dos movimentos, foram substituídos por
sapatos de couro com moedas de cobre fixas no salto.
Na África, as danças eram acompanhadas por ritmos
sofisticados, enfatizando o movimento do corpo e não apenas o
trabalho dos pés. A dança era, enfim, uma parte significativa da
vida e do bem estar dos povos. Quando ingleses, irlandeses, alemães
e africanos chegaram ao Novo Mundo, diversas formas de dança
mesclaram-se, originando uma nova arte - o sapateado - que se tornou
a dança nativa da América do Norte, conhecida no mundo inteiro.
Em meados do século 19, os menestréis tornaram-se
extremamente populares, dominando o mundo do entretenimento
americano e propiciando o encontro das várias culturas e artes que
se dirigiam ao país. Os menestréis permaneceram em evidência por
mais de cincoenta anos, fomentando o crescimento da música e da
dança, especialmente do sapateado.
A influência afro-americana predominava, embora
companhias de menéstreis negros não existissem até o final da Guerra
Civil Americana 11861/1865). Entretanto, o impacto dos menestréis
foi profundo, e muitos passos clássicos foram criados. O "soft shoe"
resultou de uma dança popular entre os menestréis (" The Essence of
Virginia"); o cakewalk (literalmente, "andar do bolo"), um passo
bastante difícil que surgiu nas plantações onde os negros imitavam
seus senhores. O cakewalk chamou tanto a atenção que criaram-se
concursos regulares, oferecendo um pedaço de bolo como prêmio ao
vencedor.
Entre os grandes menestréis destacaram-se William
Henry Lane, o "Juba", que exerceu a maior influência individual
sobre a dança no século 19, e George Primrose, descendente de
irlandeses, que emprestou sua finesse e elegância ao desenvolvimento
do "soft shoe". Os menestréis dominaram o cenário artístico mundial
por décadas. Quando sua popularidade começou a decair, observou-se
que por ser uma forma de entretenimento basicamente masculina, havia
quase exterminado as artistas mulheres.
A busca por algo novo crescia, as mulheres abraçavam a
profissão, e uma nova era logo começaria - era o Vaudeville, que
incentivou uma nova forma de entretenimento familiar com acrobacia,
canto, dança, e comédia. Infelizmente, porém, permaneceu
segregacionista, e artistas brancos e negros não atuavam juntos.
Entre os artistas negros, destacavam-se os Berry Brothers,
acrobatas; Eddir Rector, as famosas Whitman Sisters; King Rastus
Brown, e Bill Robinson, que trouxe o sapateado para "as pontas".
Entre as companhias com artistas brancos,
destacavam-se o bailarino James Barton; George M. Cohan; os Condos
Borthers; Harland Dixon, e Pat Roony, conhecido por sua fantástica
versão do Waltz clog". Entre 1909 e 1920, os EUA foram assolados por
uma febre de dança: criou-se o fox trot, turkey trot, grizzly bear,
e bunnny hug por exemplo; os adultos passaram a estudar danças de
salão, e todos dançavam. Antes da primeira guerra, o sapateado
incorporou diferentes estilos, e aumentou seu apelo junto ao
público.
Sapateadores americanos adaptaram a dança russa, dando
uma nova e vigorosa dimensão ao sapateado. Ida Forsyne e Dewey
Weinglass dominavam este estilo. Uma outra forma de arte a se
misturar com o sapateado foi a acrobacia, e artistas como Archie
Ware, Willie Covan, e Maxie McCree destacaram-se. Nos últimos anos,
Albert "Pops" Whitman foi um dos maiores sapateadores acrobáticos
americanos. No início da década de 20, um show chamado "Shuffle
Along" estreou na Broadway e revolucionou os palcos.
Foi o musical negro mais popular já apresentado na
América, e o primeiro a apresentar uma "chorus line" - dezesseis
bailarinas executando a mesma coreografia, além de descobrir
estrelas como Eubie Blake e Bill "Bojangles" Robinson, o primeiro
bailarino negro da Broadway. Em 1933, Fred Astaire fazia seu
primeiro filme ("Dancing Lady"), e sua brilhante atuação em
"Broadway Melodies of 1940", onde dançou 'The Beguine" com a também
coreógrafa Eleanor Powell, permanece inesquecível. O mundo vivia a
era dos grandes musicais, e outros sapateadores excepcionais -
Ginger Rogers, Gene Kelly, Ann Miller, entre outros - também
brilhavam, alcançando o sucesso e admiração do mundo.
Nos anos 50, novas tendências dominaram o teatro
americano e a busca por algo novo e diferente prevaleceu. O
interesse pelo sapateado e sua presença nas novas produções caíram
substancialmente. Muitos profissionais sentiram que o sapateado
estava morrendo, outros decidiram permanecer e conseguiram mantê-lo
vivo até a década de 70, quando a dança finalmente renasceu.
A procura pelo sapateado aumentou sensivelmente;
inúmeros shows da Broadway incluíam-no; a mídia dedicava-lhe mais
espaço; e salas de aula ficavam superlotadas - como se nada tivesse
acontecido, novamente o sapateado ganhava a admiração das platéias
do mundo inteiro.
Novos talentos surgiram para cultivar a arte e
desenvolver a técnica. Novos filmes foram lançados, espetáculos
grandiosos montados com enorme sucesso de crítica e público,
enquanto Hollywood e a Broadway tornaram-se o ponto de encontro de
pessoas como Gregory Hines, surgindo assim, um movimento chamado
"renascimento do sapateado", tendo como líder Savion Glover, um
menino que estreou na Broadway em 84 com tap dance kids, depois
black and blue, Jelly's Last Jam e como coreógrafo premiado em Bring
D'a Noise Bring D'a Funk.
Bibliografia:
"Gotta Sing Gotta Dance" John Kobal, 1983
"Tap Dance, a Beginner´s Guide", Trina Marx, 1983
"The New Yorker", 13.07.927.
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